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13 junho 2018

Mutuca, um dos mais emblemáticos roqueiros do sul, faleceu hoje pela manhã.

Entramos numa fria... assim conheci o sr Carlos Eduardo Weyrauch, o Mutuca, através de Eze Guarnieri, um dos seus fiéis seguidores, quando me levaram para a Ipanema FM para, entre outras funções, fotografar o aniversário da rádio, em 2009. Pelo profissionalismo e confiança de Mutuca, entrei em estúdios, subi em palcos, criei, divulguei e conheci (de perto) o nosso rock. Através dele, tive o prazer de conhecer artistas que jamais teria tido o prazer. Supekovia, Sérgio Stosch, Lúcio Vargas, Duda Guedes, Christian Iwers, Marcelo Abreu, Eco Álvares, Lata Velha, Luís Tavares, Inácio do Canto, Ferrão, Buz, Fest James Pieta, Lúcio Vargas, Blattner, Eco, Edu Bittencourt, Lessa, David Segal, pessoal do Acústicos & Valvulados, Bidê ou Balde, Nenhum de Nós, Papas da Língua, TNT, Cascavelletes, Rosa Tattooada, Engenheiros, Piratas do Porto, Magra do Bonfa, Jottagá, Bixo da SedaTaranatiriçaBandaliera, Guerrilheiro Anti-nuclear, Expresso do Oriente, Replicantes, Astaroth, Garotos da Rua, De Falla, Walverdes, Maria do Relento, Superguidis, Tequila, Pata de Elefante, Cachorro Grande, Liverpool, Graforréia, Reação em Cadeia, Pública, Stereo Box, Vincent, Bad Fish, Vera Loca, Bandaliera, pessoal das rádios e jornais em que trabalhou pois, estávamos sempre em contato, muitos músicos, figuras da música, etc, etc, etc... só os conheci por conta da proximidade do mestre e amigo Mutz.
Mutz à frente da Kommand Band, em 2009.
Dono de um humor peculiar, carinhoso e amigo de todas as horas, Mutz foi um dos precursores do rock gaúcho com mais de 50 anos de carreira como músico, compositor, arranjador, divulgador, apresentador de programas e, na ótica dos muitos músicos com quem trabalhou... um mestre professor. Pois ele nos deixou, nesta madrugada, devido a um infarto. Tinha 71 anos, e uma vitalidade impressionante que sempre mostrou nos palcos ou fora deles. 
Começou a sua trajetória em 1967, na serra gaúcha, à frente do seu Alphagroup, participando de festivais e shows junto de Bixo da Seda e outros. Mas, o gosto pela boa música ele trazia desde de criança, quando conheceu os vinis de Bill Haley & His Comets,  Elvis Presley e outros. Nos anos setenta criou bandas com Cláudio Vera Cruz, Flávio Chaminé, Giba-Giba, Cláudio Levitan, Bebeco Garcia, Léo Ferlauto, Fernando Pezão e outros grandes músicos. Em 1991 fundou a antológica “Mutuca e os Animais” - a mesma conquistou indicação ao Prêmio Açorianos de 1999 com o CD Hot Club (Barulhinho), contando com Paulinho Supekovia (guitarra solo), Sérgio Stoch (teclados), Lúcio Vargas e Duda Guedes (bateria). Logo depois, Mutuca passa a criar e experimentar novas formações em locais como o Believe Studio (Porto Alegre), Cult Café (Rolante- RS) e outros, ajudou a fomentar alguns dos mais importantes festivais, como Morrostock, Rock na Praça, etc, abriu o show para Jerry Lee Lewis, no Pepsi On Stage, em 2009. Apresentou durante alguns anos o Hot Club do Mutuca, na extinta Ipanema FM e, atualmente, mantinha o mesmo no canal Dinâmico FM, tinha uma coluna no jornal NH, de Novo Hamburgo e o seu blog Hot Club, dedicado a história do rock. 

E depois de tudo isso, o que mais posso dizer? Saudade, surpresa, tristeza...

R.I.P. MUTUCA !!!

16 março 2018

"O Sol é Para Todos" enfrenta processo por alterar personagens.


O cartaz do filme de 1962
A adaptação para o teatro de uma das melhores obras literárias de todos os tempos (e muito aguardada)  "O Sol é Para Todos" enfrenta um processo legal iniciado pelo espólio de Harper Lee, autora da novela. A ação judicial, registrada em um tribunal federal no Alabama, argumenta que a versão teatral desvia-se demais da obra original e viola um contrato entre a autora e os produtores, o que estipula que os personagens e a trama devem permanecer fiel ao livro. O contrato afirma que a autora "terá o direito absoluto e incondicional de aprovar o dramaturgo para a montagem" e que "também deve ter o direito de rever o roteiro e fazer comentários que devem ser considerados de boa fé pelo dramaturgo, que não deve derrogá-lo ou sair de forma alguma do espírito da novela nem alterar seus personagens".

Harper firmou parceria com o produtor Scott Rudin em 29 de junho de 2015, poucos meses antes de morrer aos 89 anos, pelo direito de criar uma peça sobre seu famoso romance, centrado em Atticus Finch, um advogado que defende um réu negro acusado de estupro. Contudo, um ponto-chave do processo diz que a versão teatral apresenta o protagonista como um homem que começa o drama como um apologista ingênuo ao status quo racial, uma descrição em desacordo com sua imagem puramente heróica no romance. A equipe de Rudin está argumentando que não, e que, enquanto os produtores devem ouvir a visão da propriedade, eles são os árbitros finais de se a produção é fiel ao romance. "Não posso e não apresentarei uma peça que sinta que foi escrita no ano em que o livro foi escrito em termos de política racial: não seria de interesse. O mundo mudou desde então"", disse Rudin em recente entrevista.
O advogado Finch defendendo Tom Robinson (
Brock Peters)

Aaron Sorkin (roteirista da peça em questão) defende que seu roteiro apresenta uma abordagem diferente daquelas da escritora ou de Horton Foote, que escreveu o roteiro do filme de 1962. "Ele se torna Atticus Finch no final da peça, e enquanto ele está indo, ele tem uma espécie de disputa com Calpurnia, a governanta, que tem um papel muito maior na peça que acabei de escrever. Ele está em negação sobre o seus vizinhos, seus amigos e o mundo ao seu redor, tão racista como é, que um júri do Condado de Maycomb poderia colocar Tom Robinson na prisão quando é tão óbvio o que aconteceu aqui. Ele se torna um apologista para essas pessoas", explicou ao mesmo site.

Tonja Carter, a representante do espólio de Harper Lee, acredita que Sorkin, de fato, se afastou do romance. Ela também se opôs à alegada adição de dois personagens que não existem no livro, a "alteração" dos personagens de Jem e Scout Finch, além de afirmar que a roteiro não apresenta uma descrição justa da cidade na qual a obra é ambientada. A peça, que está programada para começar as visualizações em 1º de novembro e para estrear 13 de dezembro na Broadway, é uma produção conjunta de Rudin e do Lincoln Center Theatre, onde as sessões ocorrem.

Vale lembrar que, mesmo tão antiga e num mundo tão distante (em termos geográficos e culturais) a obra permanece cada vez mais atual e oportuna.
Foote, roteirista do filme, a autora e Robert Duvall

07 março 2018

Google homenageia as mulheres do mundo todo

Celebrando o Dia Internacional da Mulher (8 de março) o Google criou um Doodle comemorativo. São doze histórias desenhadas no estilo em quadrinhos e criadas por artistas de diversos lugares do mundo. Representando o Brasil, Laerte criou o quadro “Amor”, uma história de um homem que se apaixona por uma mulher trans.

Esses doodles homenageando datas especiais, começaram em 2009 mas, só a partir de 2012 as imagens passaram a ser mostradas no Brasil. Lembrando que, a cada ano, os Doodles ficam mais engajados, acompanhando a tendência mundial de celebrar o 8 de março como um dia de luta, mais educativos e menos comerciais.

Confira, a seguir, os que o país foi representado:

O Google utilizou, em 2012, os símbolos antigos e clichês da florzinha e do feminismo na homenagem.
No ano seguinte, foi representada a diversidade de mulheres, com suas raças e origens distintas.

Em 2014, um vídeo mostrava mais de 100 mulheres de países de todo o mundo - destaque para, entre elas, a ativista Malala Yousafzai e as brasileiras Viviane Senna, Marta Silva, Mara Gabrilli, Maria da Penha e Isadora Faber.
Em 2015, uma imagem estática retratou as diversas profissões e atividades exercidas por mulheres.



Em 2016, o vídeo voltou mostrando 13 cidades com 300 mulheres completando “Um dia eu irei…”. 




Ano passado, como num slideshow, uma avó conta para a neta histórias de 13 mulheres memoráveis. Entre elas, a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi.



E a homenagem desse ano? Já viu? Basta abrir seu navegador (Google Chrome, claro) e clicar na seta, como num tocador de vídeo.


20 janeiro 2018

Casa de Cultura Mario Quintana oferece espaço para teatros


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A Casa de Cultura Mario Quintana abriu processo para ocupação dos espaços destinados as artes cênicas (atrações de teatro, circo, dança e música) para levar espetáculos aos teatros Bruno Kiefer e Carlos Carvalho. A divulgação da seleção definitiva está prevista para o dia 21 de fevereiro. 

Confira o cronograma completo abaixo:

- Divulgação do regulamento: 12/01/2018
- Período de recebimento de propostas: de 12/01 a 05/02/2018
- Habilitação das propostas: de 06 a 08/02/2018
- Divulgação dos habilitados: 09/02/2018
- Recursos: de 12 a 14/02/2018
- Divulgação dos recursos: 15/02/2018
- Análise e seleção das propostas: de 16 a 20/02/2018
- Divulgação dos selecionados: 21/02/2018 pelo site da CCMQ
- Ocupação: a partir de 09/03/2018

As inscrições vão até o dia 5 de fevereiro pelo e-mail chamadapublicaccmqteatros@gmail.com. 

Maiores informações:

CCMQ - Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736, Porto Alegre, RS)
Fone: (51) 3221-7147 
E-mail: ccmq@ccmq.rs.gov.br 
Site: www.ccmq.com.br 
URL: www.facebook.com/CCMQportoalegre

Netflix libera trailer de "O Mecanismo"

A série "O Mecanismo", inspirada na Lava Jato e seus bastidores, é dirigida pelo cineasta José Padilha, o mesmo de Narcos e Tropa de Elite, tem roteiro de Elena Soarez (Cidade dos Homens, Casa de Areia, etc) a partir do livro Lava Jato de Vladimir Netto e tem estreia prevista para 23 de março.

Na trama, Selton Mello é um delegado de polícia obsessivo que se junto à sua assistente, interpretada por Caroline Abras (Se nada mais der certo), para investigar Roberto Ibrahim, interpretado por Enrique Diaz Carandiru), um criminoso envolvido com lavagem de dinheiro junto a politicos. 

Confira abaixo o 1° trailer: 

30 dezembro 2017

Como vai ser o reveillon dos gaúchos.


Quem quiser curtir shows de queima de fogos, no Rio Grande do Sul, terá que se contentar com poucas opções. Muitas cidades, por conta da falta de recursos financeiros, não terão festas com queima de fogos - Porto Alegre e Caxias do Sul são os principais exemplos. Já outros confirmaram festividades pela espera do ano novo. Confira como será a festa da virada em algumas cidades:
A festa da virada, dessa vez, não será na Usina.
Porto Alegre, cancelou (mais uma vez) a festa com queima de fogos, terá poucas opções em clubes mas, em compensação, terá queima de fogos no Parque Marinha do Brasil e passeios com barcos, organizado pelos clubes náuticos da capital.
Em Viamão, a festa será na Praia de Itapuã e começa as 23 horas.
Já em Gramado o show da virada começa às 22h30 na Rua Coberta com queima de fogos, além extensa programação unindo os festejos do Natal Luz.

Gramado une o show da virada ao Natal Luz
Em Torres, um dos pontos mais tradicionais do litoral, a festa será na Praia Grande e terá apresentações musicais nacionais e regionais, contagem regressiva e, claro, show de fogos.
Em Tramandaí, a festa terá DJs na beira da praia e ao contrário de 2017, quando a festa foi cancelada por falta de dinheiro, 2018 deve ser recebido com a tradicional queima de fogos.
A vizinha Imbé, terá queima de fogos na Barra e shows com Doce Desejo e Lili Fernandez & Bando. Mariluz, também em Imbé, terá shows de Só Balanço Show e Portal G3.
Capão da Canoa fará sua festa de Réveillon 2018 na Avenida Beira Mar com apresentação da Orquestra de Teutônia, Michel Teló, no dia 30, e Munhoz e Mariano no show da virada. 

Michel Teló estará em Capão da Canoa
Em Arroio do Sal, a festa será com o rock dos Acústicos e Valvulados e show pirotécnico na Praça do Mar. Certamente, um dos melhores dessa virada.

Acústicos e Valvulados fará um dos melhores shows da virada
No litoral sul, Rio Grande não terá queima de fogos mas a festa será animada com atrações locais e, como em anos anteriores, no Campo do Praião, Cassino.

É isso, pessoal, aproveitem a sua festa, beba moderadamente e um ótimo ano novo a todos.

28 dezembro 2017

Porto Alegre ganha mais um espaço cultural.



Porto Alegre acaba de ganhar mais um espaço cultural, é o antigo Instituto de Química está em fase final do processo de restauração e está se tornando o mais novo centro cultural de Porto Alegre. O “quindão”, como foi apelidado por conta da côr ocre,  foi praticamente reconstruído para abrigar o espaço cultural, que terá dois auditórios de capacidade para 250 pessoas cada, salas multiuso, espaços para exposições e shows, lanchonete e cafeteria. Segundo o superintendente de Infraestrutura da universidade, Edy Isaias Junior, as obras no imóvel já estão em fase final e já prevê a inauguração para breve: “Estamos nos últimos detalhes internos, como revestimentos, colocação do mobiliário e a instalação de elevadores”.

A cor externa foi definida pelos historiadores que acompanham o projeto, que tentaram se aproximar das referências originais, já que, na época da inauguração, não havia fotografias coloridas.  Iniciada há cerca de quatro anos, a restauração também revelou algumas surpresas durante sua execução, conta o superintendente. “Descobrimos pinturas antigas e janelas que estavam escondidas. Algumas foram restabelecidas”, conta Isaias, que projeta a conclusão dos trabalhos em três meses. O superintendente destaca também que o prédio recebeu estrutura de climatização e acessibilidade e estará aberto à comunidade para receber eventos culturais.
A inscrição Escola de Engenharia, que está até hoje na fachada, não é um erro ou acaso e remonta às origens do próprio instituto - o curso de Química Industrial foi criado em 1920 e estava ligado à Engenharia. Na década de 1920, o curso vira Instituto de Química Industrial, e, na década de 1950, Engenharia Química. O prédio abrigou aulas teóricas e práticas de diversos cursos da Escola de Engenharia, e até da Faculdade de Filosofia.

Vida longa ao Instituto.

05 dezembro 2017

Cinquenta anos do Teatro de Arena.


Foto de Ramiro Furquim / Sul 21

Jovens atores formados pelo Curso de Arte Dramática da UFRGS, sob a liderança de Jairo de Andrade, realizaram a façanha de fundar o Grupo de Teatro Independente em 1966 e de – cerca de dezoito meses após – inaugurar a sua casa própria: aquele que seria um dos mais importantes teatros do Brasil.

A ousadia empreendedora do GTI revelou-se desde o início com a montagem itinerante de “A Farsa da Esposa Perfeita”, de Edy Lima. Deslocando-se de trem em direção à fronteira oeste do Estado, o grupo se apresentava nas várias cidades ao longo da via férrea; talvez uma façanha inédita em nosso país. Além disso, em 1967 – antes de “O Santo Inquérito”, de Dias Gomes, que inaugurou o Arena no mês de outubro – o GTI realizou no Theatro São Pedro e no Teatro Álvaro Moreyra (antigo Equipe) as montagens: “Ratos e Homens”, de John Steinbeck; “Esperando Godot”, de Samuel Beckett; Soraya Posto 2, de Pedro Bloch; “Um Elefante no Caos”, de Millôr Fernandes e “Um Demorado Adeus”, de Tennessee Williams.

A partir da instalação em sua arena, o grupo passa a atuar em todas as etapas da produção cênica a partir de uma tríplice preocupação: profissional, estética e política. Atores contratados, experientes diretores importados, refletores adaptados e montados no próprio Teatro que funcionavam a contento, venda antecipada de ingressos nos diretórios acadêmicos, parceria com a Casa Louro e outras lojas: a correta busca pela profissionalização.

A dimensão estética é contemplada pelo cuidado com as encenações e a criteriosa seleção dos textos. Buscam-se atores experientes e exige-se dedicação plena de todos, dando-se oportunidade aos talentos surgidos nos cursos. O diálogo com críticos e jornalistas é permanente. A musicalização dos espetáculos é confiada a Flávio Oliveira – compositor, professor e intérprete premiado e com experiência internacional. Jairo de Andrade sempre se preocupou em dar as melhores condições possíveis aos diretores, mesmo que isso, algumas vezes, implicasse prejuízo financeiro. Também por causa da escassez de recursos, algumas montagens não atingiram o nível desejado, fazendo com que os ensaios continuassem mesmo após a estreia. Numa montagem emblemática como “Mockinpott”, de Peter Weiss, em 1975, o diretor europeu José Luiz Gómez (trazido numa parceria com o Goethe-Institut) realizava ensaios diários que duravam até quinze horas e chegou a adiar duas vezes a estreia. O resultado estético compensou.

O enfoque político – resistência contra o autoritarismo governamental e a censura à produção artística – estava expresso nos textos escolhidos, nos debates realizados, na identificação com o pensamento democrático e de esquerda, na aproximação com as entidades estudantis, na solidariedade aos artistas perseguidos. Na denúncia de ações ridículas e absurdas. Exemplo do sequestro de velhas e inúteis carcaças de mosquetões, legalmente emprestadas pela Brigada Militar para uso cenográfico na peça “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Bertolt Brecht – ação de militares do Exército que invadiram o Teatro de metralhadoras em punho.

Os princípios que embasavam o trabalho do grupo estão expressos na publicação Teatro em Revista, lançada em 1968. No editorial do primeiro número da Revista – que tinha o jornalista Marcelo Renato como redator e o próprio Jairo como diretor – afirma-se o entendimento de que profissionalismo teatral é “não só buscar a sobrevivência econômica dentro da atividade do palco, mas a seriedade, honestidade e continuação de um trabalho que pouco a pouco vá consolidando a confiança e atenção do público”. Também nesse número, um artigo de Augusto Boal demarcava a posição do GTI/Teatro de Arena. “Dentro da esquerda, toda discussão será válida sempre que sirva para apressar a derrota da reação. (...) Reação é o atual governo oligarca, americanófilo, pauperizador do povo e desnacionalizador das riquezas do país... (...) são também os artistas de teatro, cinema ou TV que se esquecem que a principal tarefa de todo cidadão, através da arte ou de qualquer outra ferramenta, é libertar o Brasil do seu atual estado de país economicamente ocupado e derrotar o invasor, o ‘inimigo do gênero humano’...” Contra o chamado teatro digestivo: “Por que são tantos os grupos teatrais que se dedicam ao teatro apodrecido, teatro de mentiras, corruptor? (...) O povo e sua temática estão aprioristicamente excluídos. (...) Nossos artistas se atrelam aos desejos mais imediatos da corte burguesa, da qual são servis palhaços, praticando um teatro de classe, i.é., um teatro da classe proprietária, da classe opressora. A consequência lógica é uma arte de opressão.”

Por isso o Arena montou Dias Gomes, Sartre, Nelson Rodrigues, Bertolt Brecht, Plínio Marcos, Ésquilo, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, o premiado “Mockinpott”, Ivo Bender, Teatro Jornal, César Vieira... Para fazer um teatro instigante, provocador, inteligente. Priorizando a temática dos injustiçados e dos oprimidos. Priorizando a temática da resistência.

No final de 1971 entra em cena Marlise Saueressig e o Arena inicia uma nova fase. Excelente atriz, Marlise recebeu o prêmio revelação em 1973 e o Açorianos de melhor atriz em 1977. No Festival de Cinema de Gramado de 1979 conquistou o Kikito de melhor atriz por sua atuação em “Os Muckers”, de Jorge Bodansky e Wolf Gauer. Durante uma década, Marlise dedicou-se totalmente ao Teatro de Arena como atriz, produtora e professora de linguagem corporal. Ela e Jairo percorreram boa parte do Brasil ministrando cursos e apresentado espetáculos do repertório do Arena. Além disso, junto com Carlinhos Hartlieb, foi responsável pela realização das Rodas de Som, de significativa importância na renovação qualitativa da música urbana rio-grandense.

Contudo, o Teatro de Arena passou por momentos muito difíceis. Foi perseguido política e economicamente, acumulando dívidas que levaram ao seu fechamento em 1980. Desativado durante nove anos foi, por pressão do meio cultural, adquirido pelo Governo do Estado e amplamente reformado para voltar a funcionar como teatro.

Por tudo isso é significativo que, neste 2017 quando o Teatro de Arena completa 50 anos, seu palco receba a bela montagem de Senhora das Armas, uma revisão de Gil Collares para o famoso texto de Bertolt Brecht, mostrando o atualíssimo drama da juventude negra assassinada nas favelas de nosso país.

Para isso o Teatro de Arena foi criado. Para produzir arte de qualidade em sintonia com o seu tempo e com o seu povo!

“O Teatro de Arena foi um lugar onde as pessoas lutaram pelo que acreditaram e tentaram ser felizes. Hoje estamos tranquilos porque sabemos que, com tudo o que passou, o Arena jamais vai deixar de ser o que foi na nossa época: antes de tudo um teatro.”

- Hamilton Braga é professor, produtor cultural e um dos fundadores do Teatro de Arena - para o jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, RS. 

Os Discocuecas - rock e humor no rádio.

Travi, Julio, Roncaferro e Badarok - 1983.


Em 1977, teve inicio Os Discocuecas, um programa de rádio que informava, mostrava a cultura da capital com muito deboche e rock and roll. Afinal, os caras eram da área. 

Tudo começou com Julio Fürst que, no seu programa da rádio Continental, encarnava o Mestre Julio, parodiando peças de comerciais e fazia sátiras de músicas e personagens da época. O sucesso foi instantâneo que, ele resolveu convidar os amigos Beto Roncaferro (Jorge Gilberto Dorsch), Gilberto “Bagual” Travi e Toninho Badarok (João Antônio Araújo) para assim, ampliar o time e levar a ideia para os palcos. Estava criado Os Discocuecas.

Com um humor afiado, eles aproveitam o lançamento de Love to Love you Baby, de Donna Summer, filme Embalos de Sábado à Noite, de John Badham, a novela global Dancin' Days (entre outros) e passam a zoar com tudo e todos. Embalados pela moda, elas lançam, em 1978, É Só Dançar e A Nonna Viu, uma versão de In the Navy, do Village People, cantada sobre a base sonora original.

Logo em seguida, Julio Fürst passa a trabalhar a estruturação de uma rádio jovem que, mais tarde, vai dar origem à Atlântida FM, da RBS. Aproveitando a "carta branca" do diretor Ruy Carlos Ostermann, estreia às 13h de domingo o Discocuecas em Curto-circuito, abrindo as jornadas esportivas da emissora e, durante uma hora, dedica-se ao deboche sem poupar nem os patrocinadores. Cerâmica Cordeiro,por exemplo, ganhou o slogan  “O barro que não tem cheiro”.
Eles criam a radionada esportiva (jornada é coisa de jornal, segundo eles) e formam uma equipe de esportes com diversos personagens sempre parodiando, informando, acompanham as partidas e deixam a bola picando para o humor. E sempre com musica (rock é claro).

Além do futebol, eles também transmitiam competições esportivas, como jogos de amarelinha, palitinho ou cinco-marias e corridas de aro de bicicleta.

O programa (e suas apresentações) tiveram grande exito e sucesso porém, com a saída de Ostermann da direção da rádio, o Discocuecas em Curto-circuito é cancelado. O grupo passa a se dedicar, então, a shows, gravando também alguns discos. Em meados de 1983, o programa volta ao ar, por um período, na Universal FM, nos sábados, das 19 às 20h. Torna-se, assim, o primeiro humorístico transmitido em frequência modulada no Rio Grande do Sul. Nos anos seguintes, de modo esporádico, a comicidade dos Discocuecas aparece na forma de quadros em programas como Gaúcha Fim de Semana e Gaúcha Hoje, na Rádio Gaúcha AM. O grupo despede-se em 1997, com a gravação do CD Metamorfose.

Volta e meia, Beto Roncaferro, João Antônio "Toninho Badarok" e "mestre" Julio Fürst lançam alguma insanidade e retomam os show - o quarto elemento, Gilberto "Bagual" Travi, morreu em 2011. 


Quer escutar as musicas dos caras? Confere... https://www.discogs.com/artist/1807848-Discocuecas

27 novembro 2017

Charles Manson e o fascínio que sua figura exerce.

Charles Milles Maddox, ou Charles Manson como ficou conhecido, foi o fundador e líder de uma seita pseudo religiosa que cometeu vários assassinatos nos anos 1960, entre eles o da atriz Sharon Tate (na época, grávida de oito meses de Roman Polanski, diretor de cinema). Preso e condenado à morte em 1971 (pena que acabou virando prisão perpétua), morreu cumprindo a mesma, em 19 de novembro de 2017 na Penitenciária Estadual de Corcoran. 
Mas, porque todo esse fascínio?
Filho abandonado de uma prostituta e um alcoólatra, Charles Milles Manson nasceu 1934, viveu quase toda a sua vida em reformatórios juvenis e quando atingiu a maioridade, saiu para a prisão, onde viveu até os 33 anos. Logo após sua soltura, criou uma comunidade alternativa - o início de sua seita - em um rancho perto de Los Angeles, chamado Spahn Ranch. Essa comunidade tinha o propósito de criar um método de vida, baseado em leituras ocultistas de satanismo, conectado com o cosmos, sem respeito à ordem e as leis, auto suficiente e, claro, com muita droga, principalmente, LSD. Ele chamava o grupo de "Família Manson". Esse grupo idolatrava as ideias de Manson e acreditavam que ele seria a reencarnação de Cristo. E assim passavam os dias - drogados, rezando pelo seu "salvador" e felizes. 
Mas, para manter o padrão de vida que gostavam, passaram a assaltar e roubar o que encontravam, principalmente, nos bairros de Los Angeles - locais de ricos e abastados. E drogados, passaram também a matar. Foi quando, a atriz Sharon Tate, esposa do cineasta Roman Polanski, foi assassinada pelo grupo de Manson, que invadiu a casa do casal em Bel Air. Tate estava grávida de 8 meses, e mesmo assim foi esfaqueada, espancada e torturada até a morte - chegaram a usar seu sangue para escrever mensagens nas paredes ("porcos", "morte aos porcos" e "helter skelter").
E foi aí que ele e sua "família" se tornaram conhecidos. Quanto mais se aprofundavam nas informações sobre os porques de tantos crimes mais aterrorizavam a todos. 
E desde então, as obras mostrando (e tentando explicar) esses crimes não pararam mais de ser aparecer na mídia. Produzidas pelo cinema, tv, teatro e, até, pela música, mostram de diversas formas os crimes do grupo - Além das muitas músicas, escritos e poesias criadas pelo assassino.
Em 2015, a série Aquarius: Os Crimes de Charles Manson, resolveu tentar dissecar a "família Manson" e os assassinatos cometidos década de 1960. Gethin Anthony, o Renly Baratheon de Game of Thrones, vive o criminoso no drama da NBC, que ainda conta com David Duchovny (Arquivo X, Californication) e Grey Damon (Percy Jackson e o Mar de Monstros no elenco.

Antes, em 2003, Jim Van Bebber dirigiu The Manson Family,  que teve Marcelo Games no papel do infame psicopata. O filme mostra as mudanças da Família Manson que, de um grupo de hippies e seu amor livre, mudaram para algo o terror que praticavam. 

Em 1989, o documentário Charles Manson Superstar, dirigido por Nikolas Schreck, foi lançado foi quase todo rodado dentro da Prisão de San Quentin, onde Manson cumpriu parte da pena.

O documentário Helter Skelter foi dirigido por Tom Gries, foi baseado no livro de mesmo nome  e retrata o julgamento de Charles Manson após os assassinatos de Tate-LaBianca.

Já The Six Degrees of Helter Skelter, de 2009 (dirigido e apresentado por Scott Michaels) mostra mais de 40 locações relacionadas aos vários assassinatos, como a casa em que Mason passou os últimos dias de liberdade - antes de ser preso, claro.

The Other Side of Madness - ou The Helter Skelter Murders, como ficou conhecido - mistura documentário e as imagens sobre os assassinatos com cenas fictícias dirigidas por Frank Howard.

Além desses, temos ainda outros de menor importância, obras ficcionais e documentários, peças de teatro e, até mesmo, músicas. Nine Inch Nails, Neil Young, Ozzy Osbourne, System of a Down, Ramones, Sonic Youth, Kasabian e até Beatles fizeram referência ao criminoso em alguma obra. Mas, nada se compara a Marilyn Manson, que não só o idolatra em algumas músicas, como também, o reverencia com o seu nome artístico (se é que se pode dizer assim) e, o pior caso (para mim), Guns N' Roses, que comprou os direitos e chegou a gravar Look at Your Game, Girl, escrita pelo criminoso em 1967.

Logo após ser preso, em 1971.
Seus crimes, modo de vida, sua história (por assim dizer) deram origem ao livro Helter Skelter, título inspirado na música dos Beatlesonde Manson alegava ter descodificado mensagens que levaram aos crimes de homicídio

19 novembro 2017

Morreu Malcolm Young, líder e fundador da banda AC/DC.

Malcolm em 2014.
Quando se pensa em hard rock a primeira lembrança é AC/DC e quando se pensa na banda, lembramos primeiro do seu guitarrista-símbolo. Mas, Malcolm Young não solava ou simbolizava o grupo, ele era muito mais que isso tanto que, era chamado de ‘arquiteto’, pois tudo passava por ele.

Ele foi o líder da banda, seu guitarrista-base, letrista, arranjador (até dos vocais), produtor, criava os rifs e dava dicas nos solos do irmão mais famoso. Simples-mente, não se importava em ser a estrela, ficava mais atrás, fazendo as bases da melodia, para que os solos da guitarra de Angus e os vocais de Bon Scott ou Brian Johnson brilhassem.

Em 2014, ele foi diagnosticado com demência (uma série de doenças que levam à perda das capacidades intelectuais e debilitam todo o sistema nervoso). Mas, vale lembrar que, o músico já havia se afastado por problemas com álcool e, em outubro passado,
logo após a morte de George (irmão mais velho e produtor da banda), se noticiou que ele estava com problemas pulmonares e cardíacos.
Malcolm, Bon Scott, Angus, Cliff Williams e Phil Rudd, em 1979. 
Malcolm Young nasceu em Glasgow, na Escócia, no dia 06 de janeiro de 1953 e, aos dez anos, mudou-se (com a família) para Sidney, na Austrália. Dez anos depois, em 1973, nascia o AC/DC e tinha como principal característica os solos de Angus e a voz marcante de Bon mas, sempre com a liderança e a sólida base rítmica de Malcolm. Apesar das várias mudanças que a banda sofreu, a sua formação se estabilizou com os irmãos Malcolm e Angus nas guitarras, o baixista Cliff Williams, o baterista Phil Rudd e o vocalista Bon Scott. Com a morte de Scott, em 1980, o escocês Brian Johnson assumiu os vocais seguindo a mesma linha que tanto sucesso fez. Essa linha, foi desenvolvida por Malcolm e George Young, o irmão mais velho que havia sido guitarrista dos Easybeats, uma banda pop dos anos 60 e foi o produtor dos primeiros discos do quinteto. Mas o sucesso só chegou quando eles passaram a trabalhar com John “Mutt” Lange, o produtor sul-africano que desenvolveu a sonoridade mais agressiva do AC/DC.
Guitarrista-base e vocal de apoio, esse era o papel de Malcolm.

Em 2014, ele se afastou da música (diagnosticado com demência) ficando de fora do último álbum do grupo,’Rock or Bust’, quando foi substituído pelo sobrinho Steve Young.

Segundo o comunicado da banda, ele "morreu tranquilamente com sua família ao seu lado" e deixa deixa a esposaLinda, os filhos Cara e Ross, três netos, uma irmã e o irmão Angus Young.
Sem Malcolm e George, Angus é o único dos irmãos Young vivo.
A família pediu que, em vez de flores, quem quiser homenagear Malcolm, façam doações para o Exército da Salvação.

16 novembro 2017

Feira do Livro de Porto Alegre, uma anciã de 62 anos!!!

A primeira Feira do Livro, em 1955.

A primeira edição da Feira do Livro de Porto Alegre foi inaugurada em 16 de novembro de 1955 pelo seu idealizador, o jornalista Say Marques, diretor do Diário de Notícias que, inspirado numa feira que visitara na Cinelândia (Rio de Janeiro), reuniu livreiros e editores da cidade e criaram uma das feiras literárias mais antigas do país e uma das maiores da América do Sul.



O objetivo era melhorar as vendas das editoras daqui e popularizar o livro. Na época, livros, livrarias e editoras eram consideradas coisas da elite. Resolveram, então, criar uma feira, onde se pudesse mostrar os lançamentos, dar descontos e, na medida do possível, unir escritores e leitores na praça. Tanto que, o lema da primeira foi: Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo. E assim, a praça da Alfandega, um dos locais mais movimentados da capital recebeu a primeira edição - na época, contava com apenas 14 expositores, em bancas montadas pelos carpinteiros da Livraria e Editora Globo.


Na segunda edição do evento, iniciaram as sessões de autógrafos. Na terceira, passaram a ser vendidas coleções pelo sistema de crediário. Nos anos 70, a Feira assumiu o status de evento popular, com o início da programação cultural. A partir de 1980, foi admitida a venda de livros usados.


Foi nos anos 90 que a Feira ampliou-se, obrigando aos seus visitantes algumas voltas a mais, com um número maior de barracas e usos de novos espaços, incorporando a suas atividades encontros com autores, além dos tradicionais autógrafos. Em 94, algumas alamedas ganham coberturas, pois é histórica a relação da Feira com a chuva. No ano seguinte, 95, passa por uma processo de profissionalização, buscando o apoio decisivo das Leis de incentivo à Cultura e, também, criando um espaço para os novos leitores, crianças, jovens e adultos em fase de alfabetização. A Feira acompanha a transformação e internacionalização da cidade de Porto Alegre, que passa a receber grandes festivais e exposições (como o Porto Alegre em Cena e a Bienal do Mercosul).

No inicio dos anos 2000, a partir de conquistas na área do patrimônio e criação de novos centros culturais no entorno da Praça da Alfândega (como o Santander Cultural, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, além dos já existentes Margs e Memorial do RS), a programação cultural da Feira do Livro cresce em número de autores participantes e público visitante.
Desde 1965, a Feira mantém a tradição de eleger um patrono para cada edição. A escolha é feita pelos associados da Câmara Rio-Grandense do Livro e outros representantes da cultura do estado. Alcides Maya foi o primeiro e Valesca de Assis a atual. Mas, a lista é grande, confira em 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_patronos_da_Feira_do_Livro_de_Porto_Alegre

09 novembro 2017

‘O Diário de Anne Frank’ ganha versão em HQ e animação

Um diário pessoal, de uma menina de 13 anos, mostrou ao mundo como os nazistas caçavam, enjaulavam e matavam os judeus. E 75 anos após o fim da grande guerra ele continua marcando.

O Diário de Anne Frank mostra o dia a dia de uma família durante os primeiros anos da ocupação nazista e o risco de morte que isso trazia. A menina e seus familiares sobreviveram, escondidos, por exatos 743 dias no anexo de um apartamento em Amsterdã - a capital holandesa havia sido ocupada pelo exército alemão. Publicado há sete décadas, o Diário tornou-se um clássico mundial e o maior sobre o holocausto, chegando à marca de 50 milhões de cópias vendidas. E já foi mostrado de diversas formas: cinema, tv, teatro e outras formas.
Pois agora, o documento escrito por Anne Frank ganha duas novas versões e com uma leitura mais aberta às novas gerações. Os quadrinhos.

O Diretor de cinema e roteirista Ari Folman e o desenhista David Polonsky criadores de A Valsa de Bashir (aclamada animação vencedora do Globo de Ouro de filme estrangeiro e indicada ao Oscar, em 2009) lançam O Diário de Anne Frank em quadrinhos e preparam uma versão para o cinema. A adaptação para os quadrinhos está sendo publicada em mais de 50 países e foi apresentada em Paris. 
Converter o livro para graphic novel exigiu dos autores um brutal esforço de concisão. Se fosse transposto na íntegra, a obra em quadrinhos teria 3,5 mil páginas. O diário gráfico foi, então, sintetizado e adaptado por Folman. Sua maior riqueza em relação ao texto original talvez seja o fato de ter sido imaginado e traduzido para os quadrinhos pelos traços de Polonsky, exatamente como foi escrito o original escrito por Anne Frank até sua morte, no campo de concentração de Bergen-Belsen, em março de 1945.
A adaptação mostra a incompreensão e angústia do início da perseguição e também as dúvidas e sonhos (com pitadas de humor, típico da adolescência). 
“À noite, costumo ver longas filas de gente boa e inocente com crianças chorando, andando sem parar até quase caírem. Ninguém é poupado. Doentes, velhos, crianças, bebês, todos são forçados a marchar em direção à morte”, escreve Anne Frank, no original e mantido pelos idealizadores. As ilustração trazem rostos magros, olhos tristes  e mãos ao alto que falam por si. Cheias de medo, como foi de fato.
Em Paris, durante a apresentação, os autores comentaram sobre o desafio de trazer o texto para as novas gerações, usando para tanto, uma linguagem mais atual e marcante. Folman lembrou, ainda, do impacto da leitura do Diário de Anne Frank quando se é adulto, e disse ter imaginado um livro voltado para crianças e adolescentes. “Um jovem não consegue apreciar o valor literário do livro como um adulto”, lembra Polonsky. Por isso, os autores frisaram, na adaptação aos quadrinhos, os temas que atravessam o imaginário dos jovens. “Quando se é adulto, lê-se o diário sob o prisma de uma adolescente falando de você, adulto. Quando se lê ainda garoto se tem outra perspectiva”, explicou Folman. “Adolescentes e crianças, em especial meninas, vão encontrar o que eles precisam no diário original: a relação com a mãe, com outras crianças, o amadurecimento sexual.”
Isso não significa, porém, que a versão em quadrinhos seja infantilizada demais ou tenha perdido seu caráter político. O contexto opressor da guerra é onipresente. Em um deles, a família aparece adormecida em torno da mesa de jantar, e no texto se lê: “Querido Kitty, o número de ataques aéreos britânicos cresce a cada dia. O Hotel Carlton foi destruído. Aviões ingleses carregados de bombas incendiárias caíram bem em cima do Clube dos Oficiais Alemães. Não temos uma boa noite de descanso há séculos”, conta Anne em quadrinho ilustrado com a cidade em chamas.
O diário gráfico e a versão para o cinema tem a missão a de ajudar a eternizar a história do holocausto entre novas gerações.